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Por Rafael Monteiro, para o TechTudo


A Microsoft e a Sony têm se enfrentado em órgãos de regulamentação do mundo inteiro após a intenção de aquisição da Activision Blizzard pela dona do Xbox em janeiro. A compra levantou preocupações de órgãos responsáveis por conta da possibilidade de ser uma prática anticompetitiva. Um dos mais recentes capítulos foi no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) no Brasil, revelado nesta quarta-feira (10) pelo site The Verge. Em um documento enviado ao conselho, a Microsoft acusa a Sony de pagar desenvolvedores para manter jogos fora do Xbox Game Pass, prejudicando o desenvolvimento do serviço. Além disso, outro argumento usado é de que os fãs do PlayStation são mais leais que os do Xbox.

Segundo Microsoft, fãs da marca PlayStation são mais leais que os do Xbox e não mudariam de console pela compra da Activision Blizzard — Foto: Divulgação/Activision Blizzard

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A afirmação usada no documento se baseia em uma pesquisa de 2019 da Best SEO Companies, que listou a marca PlayStation como a que tem maior lealdade entre os fãs de videogames, seguida pelos consoles Xbox e então pelas plataformas da Nintendo. Já a principal justifica da Sony é que a franquia Call of Duty é um jogo "blockbuster", que não possui rivais e que se tornaria impossível competir se ele se tornasse exclusivo. O TechTudo entrou em contato com ambas as empresas para comentar o caso, mas ainda não obteve resposta. Entenda mais detalhes sobre o documento e sobre a aquisição da Activision Blizzard pela Microsoft a seguir:

Microsoft compra a Activision Bizzard

O caso teve início em 18 de janeiro de 2022 quando a Microsoft anunciou a intenção de adquirir a Activision Blizzard por US$ 68,7 bilhões (em torno de R$ 346 bilhões), a maior aquisição já registrada no mercado de games. O principal órgão que precisa dar seu parecer favorável à aquisição é a Comissão Federal de Comércio (FTC) dos Estados Unidos, que pediu mais em informações para as empresas em março.

Caso todos os dados tenham sido fornecidos, a compra poderá ser aprovada ainda em agosto, restando apenas resolver questões em órgãos de regulamentação ao redor do mundo, como o CADE no Brasil. Com a compra, a Microsoft se tornaria a terceira maior empresa de jogos do mundo, atrás da Sony e Tencent.

A Microsoft anunciou sua intenção de comprar a Activision Blizzard, empresa responsável por Call of Duty, World of Warcraft, Diablo e mais — Foto: Reprodução/Microsoft

Jogos da Activision Blizzard continuariam no PlayStation?

Pouco após o anúncio da compra, a Microsoft deu declarações nas quais afirma que pretende manter os jogos da Activision Blizzard no PlayStation, entre eles Call of Duty, mesmo após o encerramento de acordos obrigatórios preexistentes entre as empresas. Apesar dessa afirmação, a dúvida continuou, já que a dona do Xbox deu declarações semelhantes na compra da Zenimax, empresa mãe da Bethesda, antes de anunciar títulos futuros que seriam exclusivos dos consoles Xbox e PC, como Starfield e The Elder Scrolls 6.

Após a compra da Zenimax pela Microsoft, títulos da Bethesda como Starfield e The Elder Scrolls 6 se tornaram exclusivos dos consoles Xbox — Foto: Divulgação/Bethesda

Call of Duty é essencial?

No requerimento da Sony contra a aquisição da Microsoft no CADE, a dona do PlayStation afirma que Call of Duty é um jogo do tipo AAA que não têm rival, que se destaca como uma categoria de jogos em si e deveria ser considerado um segmento de jogos próprio. Portanto, a inclusão do conteúdo da Activision Blizzard no catálogo do Xbox Game Pass representaria um "ponto de inflexão" no mercado. Na Comissão de Comércio da Nova Zelândia, onde está sendo realizada uma investigação semelhante, a Microsoft afirma que não há nada de único nos jogos desenvolvidos pela Activision Blizzard que os torne essenciais para rivais.

Segundo o documento, outras empresas foram sido consultadas na avaliação do CADE, como a Ubisoft, que afirmou: "não existe tal título de videogame que não tenha competição próxima" e a Bandai Namco que declarou: "O maior sucesso [da Activision Blizzard] é o jogo Call of Duty, que tem como concorrentes Battlefield, Valorant, Destiny, entre outros". Já o Google confirmou que continuará havendo um número significativo de desenvolvedores e publicadores de jogos no mercado após a aquisição da Activision Blizzard pela Microsoft, enquanto a Amazon defende que muitos jogadores têm mais de um dispositivo para games.

Segundo a Sony, a série Call of Duty é essencial para o sucesso do PlayStation e não conseguiria competir se ela se tornasse exclusiva ou fosse para o Xbox Game Pass — Foto: Divulgação/Activision Blizzard

Sony paga para manter jogos fora do Game Pass?

Uma das declarações da Microsoft no documento ao CADE causou grande furor nas redes sociais e na mídia internacional. A empresa afirmou que a Sony paga desenvolvedores por "direitos de bloqueio" para manterem seus jogos fora do Xbox Game Pass e outros serviços de assinatura concorrentes. Segundo a Microsoft, a capacidade da empresa de continuar a expandir o Game Pass teria sido obstruída pela Sony.

A Microsoft afirma, ainda, que seu modelo por assinatura surgiu como uma resposta competitiva devido ao insucesso na "guerra de consoles" e que por isso houve a necessidade de ofertar aos jogadores valor adicional em relação ao modelo "buy-to-play" (comprar para jogar) da Sony. De acordo com a empresa, a inclusão do conteúdo da Activision Blizzard no Xbox Game Pass não prejudicaria a capacidade de concorrência e sim a aumentaria.

Segundo a Microsoft, a Sony paga à desenvolvedores por direitos de bloqueio para manter jogos fora do Xbox Game Pas — Foto: Reprodução/Xbox Wire

Com informações de The Verge, Kotaku, Metro, VGChartz, Video Games Chronicle (1 e 2), Engadget (1 e 2), Best SEO Companies

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